Ele era um homem comum por fora,
Mas por dentro daquela mente imaginativa,
Inventava histórias e borbulhava poesias.
Mistura de humano e bruxo, fazia dos
Dias de chuva, sombrios, manto
Verdejante de jasmim.
Ora ou outra empurrava a brasa e
O fogo que parecia morto
Voltava a esquentar o café em cima do fogão
À lenha.
Não havia preguiça para a leitura
Que bastava uns óculos embaçados
Pela fumaça do fogão antigo
E vinha uma, duas, cinco
Poesias para encantar meu coração.
Lá se foram os livros, a cadeira azul de balanço
E a sua voz brincalhona...tudo se perdeu no tempo,
Menos o que foi recolhido no fundo das minhas emoções.
Elaine Oliveira
domingo, 25 de julho de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
A Pipoca ( Rubem Alves )
A Pipoca
A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras que com as panelas. Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-mo a algo que poderia ter o nome de ‘culinária literária’. Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A festa de Babette, que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como ‘chef’. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo - porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.
As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela.
Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos, são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblê baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblê...
A pipoca é um milho mirrado, sub-desenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!
E o que é que isso tem a ver com o Candomblê? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa - voltar a ser crianças!
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão - sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: pum! - e ela aparece como uma outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.
Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro. ‘Morre e transforma-te!’ - dizia Goethe
Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, extraordinário professor-pesquisador da UNICAMP, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas ‘piruá’ é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: ‘Fiquei piruá!’ Mas acho que o poder metafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: ‘Quem preservar a sua vida perde-la-á.’ A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.
Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira.
A culinária me fascina. De vez em quando eu até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras que com as panelas. Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-mo a algo que poderia ter o nome de ‘culinária literária’. Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A festa de Babette, que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como ‘chef’. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo - porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.
As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela.
Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos, são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas. Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblê baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblê...
A pipoca é um milho mirrado, sub-desenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!
E o que é que isso tem a ver com o Candomblê? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa - voltar a ser crianças!
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão - sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: pum! - e ela aparece como uma outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.
Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro. ‘Morre e transforma-te!’ - dizia Goethe
Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, extraordinário professor-pesquisador da UNICAMP, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas ‘piruá’ é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: ‘Fiquei piruá!’ Mas acho que o poder metafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: ‘Quem preservar a sua vida perde-la-á.’ A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.
Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira.
Encantos Infantis
As asas das borboletas, o voo sem pressa do passarinho, um barulho
aqui, outro ali, tudo é interessante para olhos tão puros.
O que acontece com os olhos dos adultos? Já não têm encantamento,
a vida de todo dia que poderia ir aperfeiçoando a beleza da vida, ao contrário, obscurece, dando lugar a um tom nebuloso, sem graça, quase sem razão de ser.
A criança, que há pouco, quase inexistia no seio das famílias, é capaz de espalhar ensinamentos ao adulto. Tudo nela é emoção, é vontade, é olhar cheio de vivacidade às criações das mãos divinas.
Que possamos imitá-las, dar tempo à correria do que se chama vida e
prestar mais atenção à nossa volta, conquistando, assim...simplesmente
a tão sonhada felicidade.
Elaine Oliveira
aqui, outro ali, tudo é interessante para olhos tão puros.
O que acontece com os olhos dos adultos? Já não têm encantamento,
a vida de todo dia que poderia ir aperfeiçoando a beleza da vida, ao contrário, obscurece, dando lugar a um tom nebuloso, sem graça, quase sem razão de ser.
A criança, que há pouco, quase inexistia no seio das famílias, é capaz de espalhar ensinamentos ao adulto. Tudo nela é emoção, é vontade, é olhar cheio de vivacidade às criações das mãos divinas.
Que possamos imitá-las, dar tempo à correria do que se chama vida e
prestar mais atenção à nossa volta, conquistando, assim...simplesmente
a tão sonhada felicidade.
Elaine Oliveira
sábado, 19 de junho de 2010
Quem é Deus para mim?
É acordar de manhã e saber que estou viva
é olhar pela janela e sentir o calor do sol,
o mistério do mar, a liberdade dos pássaros.
Deus é a aliança quando nasce o sol após a chuva,
em formato de arco-íris,
é a presença das estrelas no céu pelo encantamento
de olhos apaixonados,
é aceitar que sou quem sou, não pelo que eu tenho,
mas pela essência que Ele assumiu em mim.
Deus é a paz que encontro quando faço oração,
é olhar pela janela e sentir o calor do sol,
o mistério do mar, a liberdade dos pássaros.
Deus é a aliança quando nasce o sol após a chuva,
em formato de arco-íris,
é a presença das estrelas no céu pelo encantamento
de olhos apaixonados,
é aceitar que sou quem sou, não pelo que eu tenho,
mas pela essência que Ele assumiu em mim.
Deus é a paz que encontro quando faço oração,
Que amo e a aceitação daquelas que não têm
sintonia comigo
Deus é a palavra, a frase, a história, a música,
a poesia...é o maior poeta do mundo.
Deus está no meu marido, nos meus filhos,
Deus está no meu marido, nos meus filhos,
seres únicos e verdadeiros, presentes
valiosos que do céu desceram embrulhados
pela fé, pela esperança e pela vontade
de viver, apesar de tantos pesares.
Deus é a minha vida.
(Elaine Oliveira)
sábado, 1 de maio de 2010
Pelos seus olhos conheci o mundo literário
Foram momentos marcantes em minha vida: uma cozinha, um
fogão de lenha e doces histórias. Histórias e poesias contadas e
declamadas por um homem simples, mas de uma sensibilidade e
inteligência raras. Ensinou-me um mundo além do meu mundo, o
que se encontrava nos livros. E com ele peguei carona nos contos
de Machado de Assis, na Iracema de José de Alencar, nas poesias de Manuel Bandeira, Casimiro de Abreu ( seu escritor
favorito ).
fogão de lenha e doces histórias. Histórias e poesias contadas e
declamadas por um homem simples, mas de uma sensibilidade e
inteligência raras. Ensinou-me um mundo além do meu mundo, o
que se encontrava nos livros. E com ele peguei carona nos contos
de Machado de Assis, na Iracema de José de Alencar, nas poesias de Manuel Bandeira, Casimiro de Abreu ( seu escritor
favorito ).
A leitura era o seu hobby e a magia que retirava da leitura e passava para mim ficará para sempre em minha lembrança, principalmente da última vez que nos vimos e ainda lúcido, declamou com aquela emoção que lhe era peculiar: Meus oito anos (Casimiro de Abreu). Em seus últimos momentos de vida já não conseguia segurar os livros, muito menos ler, mas o exemplo ficará a mim e aos meus filhos, com certeza.
Adeus meu paizinho do coração!
(Elaine Oliveira)
quinta-feira, 25 de março de 2010
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Que crianças são essas?
Que crianças são essas que vão à escola pela primeira vez?
Cheias de sonhos, mochila nova, material novo, pensando que escola é um pedaço do seu lar?
Que crianças são essas que não param no lugar: mexem a cabeça,
gritam, cantam, riem, caem, mas se levantam,porque a vida ainda
é criança e não pode parar.
Que crianças são essas que não sabem ler, mas contam "causos", compõem músicas, sabem do sol, da lua e estrelas e que na bandeja a vovó vai servir um delicioso brigadeiro?
Que professora vão encontrar?
Alegre, companheira, carinhosa,
ou cara fechada, indiferente,
agindo como adulto, sem lembrar
que um dia também foi uma criança?
Que crianças são essas?
Elaine Oliveira
Cheias de sonhos, mochila nova, material novo, pensando que escola é um pedaço do seu lar?
Que crianças são essas que não param no lugar: mexem a cabeça,
gritam, cantam, riem, caem, mas se levantam,porque a vida ainda
é criança e não pode parar.
Que crianças são essas que não sabem ler, mas contam "causos", compõem músicas, sabem do sol, da lua e estrelas e que na bandeja a vovó vai servir um delicioso brigadeiro?
Que professora vão encontrar?
Alegre, companheira, carinhosa,
ou cara fechada, indiferente,
agindo como adulto, sem lembrar
que um dia também foi uma criança?
Que crianças são essas?
Elaine Oliveira
Assinar:
Postagens (Atom)
Retrato
"Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?" Cecília Meireles
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?" Cecília Meireles
Paisagem
Ieda




